1 Eu não conseguia parar de pensar. Parece que pensar justificava minha vida inteira. 2 Todos os dias chegam. Por mais distante que um dia pareça ele chega sempre. Inexoravelmente. 3 Tudo em excesso faz mal. 4 Há esse sentimento clandestino do mundo, das coisas e dos seres. Essa dissolução irresoluta das horas passando no abismo. 5 Isso seria uma espécie de ponta de fuga. Uma linha perdida rumo ao infinito. 6 Quando o labirinto enlouqueceu quem se deu conta do minotauro? 7 Mais velho do que na primeira linha teimosamente escrevo. Para nada e para ninguém. Talvez, escrevo para mim de outros tempos. 8 A contemplação é a arte da permanência na impermanência de tudo. 9 Ir a si mesmo é árido e difícil ainda que gozo supremo da busca. 10 Quando não pensar em nada pensar em tudo.
quando chegar a aurora os caminhos percorrerão a luz do invisível isso é o que disse a minha voz e a do trovão um piano no pântano fará vicejar um pulso epilético num quarto mudo ( continuo caindo um turbilhão ) entre este momento e o seguinte não se passou instante algum (respira) o sol o arco o fim de tudo : apenas abra os olhos e veja um sussurro de nuvens selva de sílabas silêncio selvagem voo
Kurt Schwitters T rad. Fabiana Macchi Poema Merz I (c. 1919) Ó tu, amada dos meus vinte e sete sentidos, eu lhe amo! — Tu teu te a ti, eu a ti, tu a mim. — Nós? Isto (aliás) não vem ao caso. Quem és tu, dona inumerável? Tu és — és? — Dizem que serias — deixa que digam, eles nem sabem como a torre da igreja se sustém. O chapéu sobre os pés, caminhas sobre as mãos, com as mãos tu caminhas. Olá, teus vestidos vermelhos, serrados em pregas brancas. Eu amo Anna Flor vermelho, vermelho eu lhe amo! — Tu teu te a ti, eu a ti, tu a mim. — Nós? Isto (aliás) é coisa para a brasa fria. Flor vermelha, vermelha Anna Flor, o que andam dizendo? Responda e ganhe: 1. Anna Flor tem um macaco no sótão. 2. Anna Flor é vermelha. 3. Qual é a cor do macaco? Azul é a cor do teu cabelo amarelo. Vermelho é o chiado do teu macaco verde. Tu, moça simples de vestido de chita, tu, doce bicho verde, eu lhe amo! — Tu teu te a ti, eu a ti, tu a mim, — Nós? Isto (aliás) é coisa para o braseiro. Anna Flor! An...
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